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Veja o que você precisa para atuar em uma escola Waldorf

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Falar em Pedagogia é falar sobre uma arte de educar que proporciona a formação ampla do aluno. A Pedagogia Waldorf, baseada em uma visão ampliada e completa do ser humano, procura oferecer uma educação humanizada, com ênfase em artes e trabalhos manuais, o que leva muitos profissionais da área a se encantarem por esse ensino. Mas, afinal, será que, na prática, existe diferença em atuar em uma escola Waldorf?

Bem, iniciamos a discussão já apontando alguns dados interessantes. O Brasil, ao longo dos anos, tem ganhado adeptos dessa Pedagogia. De acordo com o panorama de 2019, da Federação das Escolas Waldorf, já existem quase 300 escolas no país. Um crescimento considerável, já que, em meados de 1990, essa quantia não chegava a 50. Isso mostra que o interesse tem sido dos dois lados: tanto dos pedagogos quanto da sociedade.

Conversamos com Florencia Guglielmo, coordenadora da área de apoio pedagógico e docente da Faculdade Rudolf Steiner, que nos contou um pouco sobre o que um professor precisa e como é atuar em uma escola Waldorf. Confira!

Diploma em Pedagogia

O diploma de Pedagogia é um dos primeiros passos para quem deseja trabalhar em escolas Waldorf. A Faculdade Rudolf Steiner oferece a licenciatura, que propicia o conhecimento de diversas teorias e correntes pedagógicas.

Depois, é preciso fazer a especialização específica em Pedagogia Waldorf, o que deixa a aprendizagem do profissional ainda mais direcionada, fazendo com que tenha contato com a filosofia e os valores difundidos por essa pedagogia. É possível, inclusive, encontrar pós-graduações voltadas a temas específicos, como Artes na Pedagogia Waldorf e Ensino Médio Waldorf.

Conhecimento sobre Filosofia Antroposófica

Florencia conta que um dos principais alicerces da Pedagogia Waldorf é a Filosofia Antroposófica, também tida como uma ciência espiritual. “Ela foi criada por Rudolf Steiner, no início do século XX, e é descrita como uma forma de olhar para o ser humano em sua dimensão física, psíquica e espiritual. Esses aspectos são desenvolvidos durante a infância e a juventude e são a base para a produção pedagógica adequada às necessidades de cada ser”.

Por isso, o professor que deseja atuar em uma escola Waldorf precisa ter essa formação, que possibilite fazer uma análise mais profunda do aluno. “Isso também faz com que o modelo de ensino para cada idade seja diferente, já que consideramos, também, as fases do desenvolvimento humano”, completa a coordenadora.

Interesse em oferecer um ensino humanizado

Diferentemente do modelo tradicional — que foca a aquisição de conteúdo, para preparar o aluno ao mercado de trabalho —, o ensino humanizado olha para as necessidades e para os valores de cada criança e jovem. É preciso compreender o indivíduo em sua totalidade e perceber que cada um carrega sonhos, medos, frustrações e ideais.

“Não é que a escola feche os olhos para a importância de cada um se encontrar no mundo, profissionalmente”, explica Florencia.

“Mas esse não é o foco de preocupação. A proposta é ajudar no crescimento individual, nas habilidades socioemocionais e nas experiências sociais. Auxiliamos no autoconhecimento, na autoconfiança, nas capacidades e no talento que cada um tem dentro de si. No fim, isso ajuda cada pessoa a escolher, livremente, qual seu lugar no mundo”.

“Outra característica da antroposofia é esse olhar humano. Por isso, nós esperamos que o professor faça a escolha de compartilhar dos mesmos valores. É questão de coerência com a escolha profissional e aquilo que ele é como pessoa”, ressalta Florencia.

Formação cultural e social

A coordenadora defende que todo professor, por estar em posição privilegiada de ensino, deveria se preocupar em adquirir mais formação cultural e social. “Literatura, artes, música, poesia, cinema: tudo isso são recursos que ele pode levar para a sala de aula, de modo a expandir o universo dos alunos”.

“Outro motivo para esses aspectos fazerem parte da matriz curricular é a relação com a necessidade de cultivo do profissional para o autodesenvolvimento. A Pedagogia Waldorf não considera o professor apenas como reprodutor do conhecimento, mas também alguém que faz parte do processo de desenvolvimento de um ser”, completa.

Por fim, Florencia explica que a educação, nessa Pedagogia, tem um grande vínculo com a questão artística. O professor usará diversos recursos de artes para ensinar o estudante. Por isso, é interessante que ele já tenha vivenciado essas questões.

Teoria e estágios com a Pedagogia Waldorf

A matriz da especialização em Pedagogia Waldorf propicia ao profissional uma formação teórica sólida, artística e prática como preparo para a sala de aula. Parte do estágio é feita em escolas Waldorf. O aluno tem vivências e é orientado quanto às práticas nessa área de atuação.

Disponibilidade de crescimento

Um dos diferenciais da Pedagogia Waldorf é estimular o profissional a buscar o autodesenvolvimento constante, como já comentamos, de modo que ele possa continuar auxiliando o aluno em todas as etapas.

“Quem quer atuar em uma escola Waldorf precisa ter afinidade com esse tipo de proposta, da Filosofia Antroposófica à educação humanizada. Mas, acima de tudo, é necessário ter disponibilidade para crescer pessoal e profissionalmente. A Pedagogia Waldorf tem uma exigência grande quanto a isso”, ressalta a coordenadora.

E explica: “é bem comum, dentro das escolas Waldorf, que o mesmo professor comece com uma turma de ensino fundamental, no 1º ano e continue com ela até o 8º ano. A proposta da nossa Pedagogia, então, não é fazer com que o profissional repita o conteúdo, todos os anos. O professor crescerá junto dos alunos e esse é um dos motivos pelos quais precisa se manter ativo, com vontade de estudar, de rever suas propostas pedagógicas, de continuar conhecendo seus alunos. É importante que seja uma pessoa disponível para a transformação”.

Por fim, para atuar em uma escola Waldorf, é fundamental passar por um processo de formação e autodesenvolvimento consistentes. A faculdade Rudolf Steiner, além de ser credenciada ao MEC, tem conceitos excelentes, de acordo com esse órgão. Assim, preparamos o profissional para um trabalho com excelência.

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