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Qual é o cuidado que se deve ter com as etapas de aprendizagem das crianças e jovens?

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As etapas de aprendizagem de crianças e jovens são estágios da vida responsáveis pelo desenvolvimento de habilidades e pela aquisição de responsabilidades com o passar do tempo. Quando entendemos as características de cada uma delas, fica mais fácil discernir o que é compreendido com maior facilidade em cada idade.

Educadores e familiares precisam acompanhar esse desenvolvimento para saber quando é importante exigir mais da criança ou esperar alguns anos antes de inserir uma nova atividade na sua rotina. Como você pode imaginar, é um acompanhamento que demanda alguns cuidados e que pode ser compreendido de várias maneiras.

Uma concepção que nos ajuda a compreender o desenvolvimento intelectual de crianças e jovens é a concepção dos setênios, uma forma cíclica de observar a vida formulada a partir da Antroposofia e respeitada na escola Waldorf. Com essa linha de pensamento, podemos acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem em três grandes etapas.

A seguir, explicamos cada uma e a importância de respeitá-las. Acompanhe a leitura e tire suas dúvidas!

Quais são as etapas de aprendizagem de crianças e jovens?

A teoria dos setênios organiza as fases da vida em sete em sete anos, que tratam do amadurecimento do corpo, do repertório para lidar com os sentimentos e das diferentes formas de aprendizagem.

Em cada fase, o indivíduo adquire conhecimentos e habilidades que serão úteis para os desafios do próximo ciclo, algo que favorece o pleno desenvolvimento. A seguir, explicaremos melhor cada um dos ciclos.

0 a 7 anos

Na primeira infância, é importante que a criança comece a construir uma percepção positiva sobre o mundo, o que lhe dará mais autoestima e segurança para, no futuro, enfrentar os grandes desafios da vida.

Trata-se de um momento de rápida evolução dos aprendizados, quando os órgãos da criança estão se desenvolvendo para responder aos primeiros estímulos do que está ao seu redor, e as suas noções de afetos são inauguradas. A segurança diante do mundo e a confiança nas pessoas são sentimentos decisivos para a construção da sua personalidade.

É pela repetição e experimentação que as crianças mais aprendem no primeiro ciclo de sete anos. Por exemplo, gestos, falas e atitudes que não queremos que elas pratiquem não devem ser reproduzidas.

Além disso, a movimentação do corpo permite que a criança experimente a realidade a partir de tentativas e erros. É por isso que brincadeiras de corrida, que testam o limite do corpo e que favorecem a liberdade de se movimentar, são tão importantes — ainda mais em um contexto de infância digital, em que muitas crianças passam muito tempo diante de telas.

7 a 14 anos

A capacidade de fabulação e a percepção das emoções são duas características muito envolvidas nos anos que compõem o segundo ciclo de setênios. Não que elas não estejam presente no primeiro, mas é neste momento que o aprendizado deixa de acontecer apenas via imitação dos adultos e experimentação das sensações mais básicas.

O estímulo à imaginação se torna um grande aliado dos processos de aprendizagem. Contos de fada, mitologias e atividades de expressão artística, por exemplo, são meios eficientes de levar a humanização para dentro da sala de aula.

É importante que a autoridade dos familiares e professores assuma o papel de mediar conflitos e mostrar à criança o lado positivo das pessoas, das relações e da natureza. Isso a ajuda a construir valores de gratidão pelas coisas simples, empatia e autonomia para atuar no mundo com responsabilidade e de maneira sustentável.

14 a 21 anos

O terceiro ciclo é muito marcado pela exposição ao mundo verdadeiro, e a aprendizagem tende a se concretizar nesse contato. Quando começamos a ter pensamentos mais autônomos, também passamos pelo amadurecimento dos julgamentos. É o momento de fazer escolhas sabendo ouvir, trocar opiniões e tratar o outro com solidariedade.

A construção da identidade a partir do sentimento de pertencer também é muito forte a partir dos 14 anos. Quando os ciclos anteriores são completos, os jovens tomam decisões com base em valores mais saudáveis para si e para aqueles que estão ao seu redor.

Qual é a importância de respeitar as etapas de aprendizagem?

Respeitar as etapas de aprendizagem é fazer com que a criança viva plenamente a sua idade, adquirindo conhecimentos que serão úteis para interpretar o mundo, lidando com suas emoções e experimentando atividades de lazer condizentes com o momento de sua vida. Isso cria um alicerce para a vida, tornando a criança resiliente diante de situações estressantes.

Quando temos desde cedo relações saudáveis de autoridade dentro e fora da escola, por exemplo, lidamos melhor com nossas emoções, nossa autoestima não é afetada negativamente pelas pessoas mais próximas e as tarefas mais imediatas da nossa rotina são realizadas sem intercorrências vinculadas a um turbilhão de sentimentos.

Os conhecimentos e experiências acumulados permitem que o indivíduo crie bases para viver plenamente sua vida no ciclo seguinte.

Qual é o risco de pular as etapas de aprendizagem?

O ritmo de aprendizado e as habilidades socioemocionais da criança podem ser afetados quando ela é exposta ao que ainda não está preparada para aprender. Situações dessa natureza dizem à criança que ela não é capaz de aprender por conta da sua idade, quando, na verdade, ela ainda não foi ensinada a lidar com determinada situação.

Crianças de 11 anos, por exemplo, não estudam a fórmula de bhaskara, porque esse conhecimento exige o exercício e a compreensão de outras noções mais básicas de matemática.

Pular etapas de aprendizagem cria uma pressão desagradável sobre a criança, e isso pode, dentre outras consequências, atrapalhar o andamento da rotina de estudo e afetar a saúde.

A teoria dos setênios nos mostra que crianças e jovens, nas diferentes etapas de aprendizagem, estão mais ou menos abertos para a aquisição de conhecimentos e para o exercício de habilidades. Compreender os ciclos de vida permite que cuidemos melhor do outro, aprendendo mais sobre as pessoas e sobre nós.

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