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Conheça o grupo de Euritmia dos alunos da graduação da FRS

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A Euritmia é uma forma de dança, baseada na Ciência Espiritual de Rudolf Steiner, e vem sido desenvolvida desde 1912. Os movimentos são feitos em coreografias, que podem expressar palavras, sentimentos e poesia. Assim, a modalidade é considerada uma arte.

O grupo de Euritmia da Faculdade Rudolf Steiner nasceu em 2020, inspirado em outras propostas artísticas da Euritmia. A finalidade é criar um espaço de desenvolvimento artístico dentro da instituição e, com isso, propiciar a outros jovens conexões com a Antroposofia e suas artes.

Conversamos com Daniela Meirelles — professora e orientadora do grupo de Euritmia da Faculdade Rudolf Steiner — e com Sofia Santoro, Jéssica Brito e Letícia Chirata — alunas graduandas da instituição. Elas contaram sobre a criação do grupo e explicaram suas futuras propostas. Confira!

O que é a Euritmia?

A Euritmia foi criada em 1912, pouco antes da Pedagogia Waldorf, que surgiu em 1919. É considerada uma arte do movimento e conta com todo um estudo teosófico e psíquico. Aliás, é exatamente por tal motivo que ela se diferencia das outras danças: não considera apenas a expressão física, mas também a emocional, a social e a espiritual.

“A intenção de Steiner é, por meio dos gestos da dança, ajudar o ser humano a se comunicar de maneira mais completa. É uma arte que ajuda a expressar o invisível, pois, para ele, a espiritualidade se exprime pelo meio suprassensível. Não a vemos materialmente, mas a Euritmia a torna visível”, explica Daniela.

Qual é a importância da Euritmia na aprendizagem?

Sabendo da importância do movimento para a Pedagogia Waldorf, podemos dizer que a Euritmia é uma das melhores ferramentas para o desenvolvimento. Ela facilita esse processo, pois ajuda a criança a se ordenar harmonicamente, em sua relação consigo, com os outros e com o mundo.

Segundo Daniela, dentro da escola, a Euritmia é praticada em vários momentos. “Posso começar o exemplo com o Jardim de Infância. Lá, a criança é muito envolta no mundo da fantasia e tem uma interpretação mais pura. A Euritmia pode trabalhar com a imaginação e as histórias infantis, a partir de gestos, para desenvolver as habilidades importantes dessa fase”, explica.

“Quando crescem um pouco, trabalhamos com contos, fábulas e textos de conteúdos morais, para despertar valores como o respeito, a compaixão, a nobreza. Os ensinamentos são elaborados junto das histórias, com gestos anímicos”.

“Na fase adolescente, entramos com elementos mais rítmicos e concretos. Também, trabalhamos a questão estética, além da intenção e do significado dos gestos, que são observados quando o ser humano se expressa. A Euritmia, também, favorece a compreensão das nossas relações sociais e da relação do cosmos com o universo.”, continua.

Sofia Santoro acrescenta sua visão sobre a Euritmia na educação: “ela ajuda a criança a se conhecer, porque quando ela se movimenta, entra em contato com o corpo, com algum músculo. Na alfabetização, por exemplo, a Euritmia pode trabalhar o movimento das letras. Além de aprender a escrever, a criança aprende a fazer o movimento da letra com o corpo inteiro. Isso traz autoconhecimento, o que é a cura para o mundo”.

Dessa forma, a intenção dos professores Waldorf, ao incluir a Euritmia no currículo, é tornar o aluno mais consciente da sua expressão no mundo, propiciando uma visão ampla da relação do ser humano no plano físico. Além disso, a Euritmia ajuda o aluno em seu desenvolvimento integral, que é uma das principais conquistas de um ser saudável.

Como funciona o grupo de Euritmia dos alunos da FRS?

A Euritmia foi incluída na matriz curricular com o intuito de ser uma ferramenta para o caminho de autoeducação, autoconhecimento e autodesenvolvimento, para o educador em formação.

Como nasceu o grupo de Euritmia

Sofia, Jéssica e Letícia contam que, no início, antes de o grupo de Euritmia da Faculdade Rudolf Steiner surgir, elas participavam de outro, junto dos alunos do ensino médio. Com o tempo, viram a oportunidade de usufruir desse benefício dentro da instituição.

A ideia de ter um grupo de Euritmia na Faculdade Rudolf Steiner é “criar um espaço de desenvolvimento artístico que, além de ser oferecido aos alunos da graduação, também abrirá as portas para a comunidade ao redor”, conta Daniela.

A partir desse pensamento, de levar a arte a mais pessoas, também surgiu a ideia de criar um projeto, cujo nome, “Îandé”, de origem indígena, tem o significado de ‘nós’. “Esse conceito de ‘nós’ remete a todos da humanidade. O objetivo é incluir todos da plateia, sempre com a intenção de difundir a Euritmia”, explica Daniela.

“Nosso propósito não é trabalhar apenas a parte artística, mas também a pedagógica, a partir de atividades com as escolas. A Dani, nossa professora, teve a ideia de criarmos um espetáculo, a partir de um texto que ela trouxe, cuja temática é o ‘tempo’. Acabou que adotamos o tema como nosso projeto inicial”, completa Letícia Chirata.

O projeto do grupo

O grupo de Euritmia deu início, no segundo semestre de 2020, ao Projeto de Extensão Universitária. A duração será de 12 meses, sendo os 6 primeiros para a criação e elaboração do espetáculo e os outros 6 para a participação em congressos, festivais e eventos.

O grupo tem parceria com a Seção de Jovens da Sociedade Antroposófica e a ideia é, a partir da arte da Euritmia, discutir e aprofundar temas atuais da sociedade, que fazem parte do desenvolvimento e amadurecimento pessoal.

“Queremos fazer um espetáculo, algo artístico. Nossa intenção é apresentar em várias instituições dentro do Brasil e, depois, Alemanha e Suíça. Além disso, queremos fazer oficinas relacionadas à antroposofia e workshops, trabalhando com várias artes”, explica Jéssica Brito.

O Projeto tem a finalidade de utilizar várias linguagens artísticas, como poesia, música e fotografia, como ferramentas pedagógicas, na construção de novos conhecimentos. “Por exemplo, na arte da fotografia, trabalharemos a linguagem fotográfica do instante, dentro da visão da Euritmia. Em grupos de discussões, debateremos sobre o tempo, que é a nossa temática inicial”, completa Daniela.

A participação no projeto não está vinculada a ser aluno da instituição. Basta ter interesse artístico de fazer as oficinas e ampliar o conhecimento. Apesar de as atividades presenciais ainda não terem se iniciado dado o contexto da pandemia, o grupo tem feito encontros semanais.

No desenvolvimento do ser humano, a Euritmia se torna um canal de expressão de anseios e pensamentos, além de despertar forças anímicas para uma melhor atuação do “eu” no mundo. Isso vai ao encontro do que a FRS acredita para o papel do pedagogo: um profissional que necessita de sensibilidade e percepções apuradas sobre os fenômenos que o rodeiam.

O grupo de Euritmia da Faculdade Rudolf Steiner pretende levar a arte a jovens em busca de conexões e com o desejo de transformar o mundo. Ter a oportunidade de participar dele e de estudar na própria instituição é ter a chance de pensar a educação a partir de uma análise reflexiva e crítica e, assim, conduzir o aluno a um processo mais amplo do ser.

Gostou de conhecer um pouco mais sobre a FRS? Caso tenha ficado com dúvidas ou precise de ajuda, é só entrar em contato!

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