Infância digital Infância digital

Infância digital: como criar atividades para tirar as crianças da frente das telas durante a quarentena

7 minutos para ler

O contato das crianças com a tecnologia é um assunto que merece muita atenção. Na verdade, o excesso pode ser prejudicial em qualquer fase da vida, mas o fato é que ter uma infância digital pode interferir no processo de aprendizagem dos pequenos.

O mundo offline proporciona descobertas e aprendizados únicos, que precisam fazer parte da rotina. Logo, o ideal é que este período de distanciamento social não acabe se tornando uma brecha para aumentar o tempo na frente das telas. Esse é um dos desafios a serem vencidos pelas famílias durante a quarentena, mas que deve ser uma preocupação constante.

Vamos falar sobre isso? Acompanhe a leitura e, ao final, confira as dicas para estimular a criançada a deixar os dispositivos eletrônicos um pouco de lado.

A importância das atividades offline

As tecnologias fazem parte das nossas vidas e naturalmente serão introduzidas no dia a dia das novas gerações. Para todas as idades e gostos, existem opções de entretenimento.

O problema passa a acontecer quando o cotidiano da criança ou do adolescente é basicamente voltado para esse tipo de atividade. Como esses equipamentos e a internet oferecem milhões de oportunidades, é fácil imaginar o poder de atração que exercem.

Para se ter uma ideia, segundo a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), um terço dos usuários virtuais é menor de idade, e a cada segundo duas novas crianças entram na internet pela primeira vez.

Passar o dia na frente de uma tela (ou de várias, como televisão, celular, computador, videogame etc.) se tornou algo normal em muitas casas. Essa realidade foi acentuada com a pandemia do coronavírus, que limitou as saídas e as interações sociais.

Por isso, é hora de redobrar o cuidado com esse excesso de contato tecnológico e retomar a importância das atividades offline. Isso é fundamental para um desenvolvimento saudável e ativo, que não envolva apenas o toque na tela ou o raciocínio necessário para vencer os joguinhos.

É importante trabalhar aspectos como a coordenação motora e a capacidade de comunicação, por exemplo. Sem contar que o sedentarismo é um dos possíveis efeitos desse uso excessivo da tecnologia, o que implica danos para a saúde. Sintomas como ansiedade, dificuldade para dormir e até obesidade ou depressão estão entre os mais comuns.

Diante disso, a redescoberta das possibilidades que estão fora das telas é um exercício crucial a ser feito pelos professores e pelos pais ou responsáveis pela criança. A praticidade das ferramentas tecnológicas não pode ser mais uma desculpa, sobretudo considerando os males que pode causar.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), crianças de até cinco anos não devem ultrapassar o limite de 60 minutos diários na frente de uma tela, sem contar que até 12 meses de vida esse contato deve ser inexistente.

Isso não quer dizer que elas nunca vão usar um computador na vida, mas que a consciência dos limites em cada faixa etária é um diferencial para o desenvolvimento das suas capacidades humanas. Engatinhar, andar, correr, pular, brincar, tocar, sentir, balançar e tantas outras ações precisam fazer parte das suas rotinas para um crescimento saudável.

As dicas para tirar as crianças da frente das telas

Uma das soluções é restringir o tempo de uso dos eletrônicos, ensinando que existem muitas oportunidades legais fora das telas. Contudo, a limitação sem o estímulo para outros tipos de atividades pode não funcionar tão bem e despertar ainda mais ansiedade.

Pensando nisso, separamos algumas dicas do que fazer para preencher o tempo na escola ou em casa com qualidade.

Fazer trabalhos manuais

O poder de produzir coisas é algo que chama a atenção das crianças, desde um barquinho de papel até um objeto mais complexo. As tarefas manuais exercitam a criatividade, a concentração, a disciplina e a capacidade cognitiva como um todo.

Portanto, vale muito a pena explorar a ideia da cultura do “faça você mesmo” e colocar todo mundo para criar. Algumas ideias são: argila, colagem, pintura, experimentos sensoriais, desenho, dobradura, entre outras. O uso de materiais reciclados nas artes é excelente para dar novas utilidades ao que seria jogado no lixo e ajuda na consciência sobre sustentabilidade.

Estimular a leitura

Embora também seja possível ler pelos aparelhos eletrônicos, o contato com os livros físicos faz parte do processo de encantamento pela literatura. Antes de aprenderem a ler, as crianças se interessam por aquele objeto e começam a se acostumar com a presença dele no dia a dia.

Então, as pessoas a sua volta contam as histórias até que elas mesmas desenvolvam essa habilidade. Aos poucos, cada um se encontra nos seus estilos preferidos. Ter uma rotina de leitura desde a infância é essencial para a construção desse hábito tão valioso.

Movimentar mais o corpo

Quando ficamos em frente às telas normalmente estamos deitados ou sentados, e assim permanecemos por um longo tempo. Para afastar o comportamento sedentário e manter o organismo saudável, nada melhor do que atividades que movimentam o corpo.

É claro que no contexto de uma pandemia fica mais difícil praticar esportes, participar de aulas em grupo ou fazer exercícios ao ar livre. Contudo, bastam algumas adaptações para lidar como for possível na situação em que cada um se encontra.

Brincadeiras que não demandam tanto espaço e geram movimentação já é o suficiente. Por exemplo: dança das cadeiras, esconde-esconde, mímica, estátua e várias outras que são fáceis de reproduzir. Essas propostas dependem da faixa etária, mas o que importa é não ficar tão parado. Isto é, sempre que possível, tente inserir uma dose de mobilidade na programação do dia.

Jogar em conjunto

A convivência social é outro fator de grande importância para o desenvolvimento. Quando outras pessoas se dispõem a participar das mesmas tarefas que a criança, o interesse dela tende a aumentar.

Esse é um dos motivos pelos quais os jogos interativos fazem tanto sucesso. Vale optar tanto pelas alternativas prontas disponíveis no mercado (como quebra-cabeças, dominó, tabuleiros, damas etc) como improvisar e montar versões caseiras. Esse é um momento oportuno para mostrar que muitos dos passatempos virtuais também existem no mundo offline.

Por último, não se esqueça que os mais jovens tendem a se espelhar nos adultos com quem convivem. Logo, não adianta cobrar o afastamento das telas se você não dá o exemplo e vive com o celular na mão — o que é um hábito automático para muitos de nós. Então, comece a ficar mais atento nesse sentido.

No fim das contas, a infância digital não precisa ser vista como um problema, desde que seja moderada. O contato com a tecnologia é inevitável e vai fazer parte da vida de qualquer pessoa, mas o excesso de telas é bastante perigoso e deve ser evitado.

Gostou do conteúdo? Caso não saiba, assinar a nossa newsletter é o jeito mais fácil de acompanhar todas as novidades e continuar recebendo outras dicas. Aproveite para fazer isso agora mesmo!

Posts relacionados

Deixe um comentário