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Primeiro professor: conheça a história de pedagogos que marcaram a memória dos seus alunos

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As boas memórias que construímos ao longo da vida certamente contribuem para a nossa felicidade. E claro que todos os detalhes importam, especialmente as pessoas com quem nos relacionamos e marcam nossa história. Um exemplo disso é o primeiro professor.

Essa impressão inicial do papel do educador costuma ser marcante para muitas pessoas, até porque, na infância, quem está ao nosso redor serve como referência.

Você já parou para pensar sobre isso? Conversamos com Melanie Guerra, professora aqui da Faculdade Rudolf Steiner, para entender um pouco mais dessa relação e conhecer sua história. Acompanhe o texto para conferir!

Por que você escolheu ser professora?

Melanie começa dizendo que a vocação para a docência foi algo que aconteceu ao longo da sua biografia. Uma das coisas que mais contribuíram para isso foi o exemplo de professores que ela teve quando estudava e que marcaram muito a sua vida.

Segundo ela, todos eles reúnem características como “coerência, retidão, exemplo de vida incrível”. A inspiração foi além das matérias escolares e serviu de motivação para seguir uma carreira.

Outro ponto que despertou seu interesse pela educação foi ter tido uma filha, o que aumentou seu contato com esse mundo. Esse foi o momento em que ela foi capaz de perceber como seria importante e especial trabalhar com a prevenção de males ao invés de tentar remediá-los mais tarde (no caso, sua formação original era como enfermeira). Sua intenção passou a ser explorar esse universo educativo como uma ferramenta para ajudar as outras pessoas.

Como cultivar um bom relacionamento com os alunos?

Construir uma boa relação entre professores e estudantes é fundamental para os resultados, já que facilita muito o processo de aprendizagem. Porém, o tempo de convivência não é o único fator responsável pela construção desse relacionamento. Isto é, não basta apenas passar muito tempo juntos se outros cuidados não estiverem presentes nesse caminho.

Por exemplo, a veracidade do professor é uma característica singular. Aquele que não consegue lidar com seus erros, frustrações e problemas tende a passar uma imagem intocável e que não condiz com a realidade. Pessoas verdadeiras falham e não passam a vida fingindo uma perfeição inexistente.

Partindo da ideia de ser uma boa referência para os outros, o adulto que está na posição de educador precisa exercitar sua autoeducação constantemente. Rever os seus atos, as suas falas e tentar acertar sempre — ainda que alguns erros aconteçam, a percepção da busca contínua da transformação é significativa.

Melanie cita uma situação bastante corriqueira que traduz isso: “não é que, na escola, eu faço reciclagem e, em casa, eu misturo o lixo”. A coerência faz parte da qualidade do profissional e abre portas para que as pessoas se aproximem dele, percebendo a sua verdade e tomando isso como exemplo. Essa é a melhor maneira de desenvolver relações saudáveis e de produzir boas memórias.

Quais aspectos são essenciais para ser um bom professor?

O primeiro aspecto destacado pela professora da Faculdade Rudolf Steiner é o domínio do assunto que será lecionado. Essa é uma competência essencial para assumir o papel de professor e ser capaz de transmitir o conhecimento para os alunos.

Contudo, ela mesma diz que isso não é tudo, pois a compreensão do estudante como ser humano faz toda a diferença para que o ensino seja realmente eficaz. Em outras palavras, não adianta pegar um especialista (até mesmo um pós-doutor) em determinada disciplina que não tenha a didática necessária para ensinar crianças, por exemplo. A forma de trabalhar e envolver os alunos é muito importante.

Além disso, Melanie opina que o bom professor precisa ser alguém interessante e interessado. Isso quer dizer que o profissional deve buscar se envolver não só com a sua área, mas também com o mundo — inclusive para ajudar seus aprendizes a fazerem o mesmo, com o intuito de entender o que acontece ao seu redor, desenvolver sua consciência crítica e contribuir para a formação de verdadeiros cidadãos na sociedade.

Esse interesse genuíno é um diferencial que é percebido pelos alunos, sendo capaz de motivá-los a ter a mesma atitude com relação ao aprendizado. Uma inspiração que elas podem carregar por toda a vida.

Você se inspira em algum professor que já passou pela sua vida?

Ao buscar suas memórias, Melanie cita um professor de artes chamado senhor Blaich. Sua principal característica era ser franco e direto, ou seja, falava o que pensava sem muitos rodeios. Então, quando um desenho não estava bom o suficiente, ele dizia a verdade para que os alunos pudessem melhorar suas criações.

Isso demonstrava que a crítica construtiva e bem-feita tem o seu valor, pois ele conseguia conciliar o carinho com a correção ou o afeto com uma postura mais severa. Para ela, “ele não queria me castigar, mas mostrar formas de melhorar, e isso eu entendi como amor e interesse”. A importância de Blaich foi tanta que Melanie manteve contato com ele até o seu falecimento.

Como ser um professor pode vir a ser uma pessoa marcante na vida dos alunos?

Enfim, a missão de ser alguém marcante na vida dos alunos deve ser considerada com muito cuidado e dedicação. Quando um professor compreende a sua tarefa no processo educativo da criança e que essa educação vai muito além da disciplina que leciona, muitas vezes ele consegue atingir e tocar de forma singular cada um de seus alunos. O interesse e amor se expressam em atitudes de acolhimento, confiança e também de certas exigências. Assim, poderá ser lembrado com carinho e afeto pelos seus discentes.

Melanie Guerra pondera que “o professor precisa entender que é um ser em aprimoramento, assim como uma criança”. Logo, é importante nunca parar de estudar e aprender para se desenvolver como ser humano. Conhecer as diferentes linhas pedagógicas, acompanhar as tendências educacionais, buscar conhecimentos específicos e explorar a própria história da educação são atitudes muito benéficas para uma boa formação.

No entanto, além da parte intelectual, é valioso pensar na construção do lado emocional, sensível, estético e social das pessoas. Nesse sentido, Melanie destaca as artes como ferramentas de desenvolvimento em todas as suas formas: desenho, pintura, música, brincadeira, dança e outras.

Quando o profissional se vê como um espelho, ele percebe que tudo o que ele faz em sala de aula ou sua postura como pessoa é capaz de refletir nos outros. Por isso, o primeiro professor tende a ser uma figura marcante, já que as crianças são introduzidas no ambiente escolar e começam a absorver novas referências.

Sendo assim, essa é uma preocupação que deve estar presente na rotina de todo professor: a maneira como se conduz o aprendizado e a relevância de pensar na formação completa do ser humano. Como bem resumiu a professora, ser interessado e interessante para influenciar positivamente.

E você, tem uma boa lembrança do seu primeiro professor ou de outros que passaram pela sua trajetória acadêmica? Retome suas memórias e leve adiante os bons exemplos!

Se tiver alguma dúvida ou quiser conversar sobre a nossa metodologia de ensino, entre em contato conosco agora mesmo.

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