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Como os professores Waldorf do Ensino Fundamental estão lidando com a quarentena?

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Quem imaginaria no começo deste ano que enfrentaríamos a pior pandemia do século? A maioria de nós nem pensava sobre o assunto. A questão é que, de uma hora para outra, tudo mudou. Muitas organizações precisaram implementar o regime home office, enquanto os serviços essenciais tiveram de se readaptar, assim como as escolas tiveram que adotar a modalidade de ensino a distância.

Mas, afinal, como ficou o processo educacional? Como os professores Waldorf têm lidado com essa situação? O que eles vislumbram para o futuro? As respostas para essas questões você conhecerá neste artigo, que contou com a participação da professora da Escola Waldorf Rudolf Steiner, Bárbara Margelli. Confira!

Um novo olhar sobre a pedagogia e os professores Waldorf

Quando pensamos na Pedagogia Waldorf logo associamos ao ensino da criança por meio da prática, por meio do qual ela se desenvolve a ponto de ter maior autonomia no mundo que a cerca. Com isso, são trabalhadas vivências ligadas à arte, à música e a outras atividades, nas quais os alunos desenvolvem a autonomia, além das demais disciplinas do currículo.

No entanto, na realidade em que estamos inseridos hoje, não é possível pensar em atividades presenciais, mas isso não significa que a vivência foi deixada de lado. Os professores voltados à pedagogia Waldorf sempre tiveram como premissa básica a parceria mais próxima da família, o que foi fundamental para a adaptação.

A partir do momento que as crianças estão em casa, o acesso a elas fica por conta dos meios de comunicação, da internet ao telefone, mas o principal agente para que o contato aconteça é a família. Segundo Bárbara Margelli, esse é um dos grandes segredos para continuar no oferecimento de ensino de qualidade.

“Isso faz com que o vínculo com os professores seja muito grande, então, nesse momento de distanciamento, você opta por meios de comunicação e uma conexão forte é trabalhada. Você consegue encontrar num meio de comunicação para dentro das casas, para continuar esse processo de desenvolvimento dos alunos”.

Os desafios pelo caminho

De acordo com Margelli, desde o princípio havia uma série de questões consideradas desafiadoras e algumas delas seriam:

  • a necessidade de restabelecer uma relação propícia à aprendizagem, a comunicação deveria ocorrer ao vivo, portanto as aulas gravadas foram desconsideradas;
  • o uso das mídias digitais pareceu o meio de comunicação óbvio, mas seria mesmo adequado? Era preciso pensar de que maneira poderíamos minimizar os efeitos nocivos do uso prolongado das telas;
  • de que maneira reduzir o uso passivo das telas, tão associado entre os jovens ao lazer, à diversão, à distração, em um ambiente que passaria a demandar do aluno, atenção, concentração e atividade consciente? O professor mostra o caminho, mas quem dá os passos é o aluno.

A questão estava justamente em adequar esse uso a cada faixa etária, pesando os prós e os contras.

No caso da Escola Waldorf Rudolf Steiner, partiu-se da premissa de liberdade aos professores, que puderam buscar o caminho com o qual mais se identificavam e fazia sentido para a turma. Ou seja, se o contato se estabeleceria via telefone, chamada de vídeo, chamada de áudio, carta ou e-mail. O trunfo estava no apoio incondicional das famílias e no vínculo entre o educador e o aluno.

Outro ponto destacado pela professora são as inúmeras situações envoltas no momento, principalmente aquelas que estão ligadas ao isolamento e à imobilidade. Consequentemente, motivar os alunos torna-se um desafio. Afinal, não se trata do educador aparecer na tela e dar uma tarefa para o estudante.

Na pedagogia Waldorf, o interesse pela promoção do relacionamento entre os alunos ajuda a fomentar as estratégias, como a criação de vínculos entre os próprios colegas, mesmo que de maneira distante, pois há uma preocupação com o outro.

“É da força do grupo, da relação entre os amigos que vem a coragem para enfrentar toda esta situação. Percebemos a existência de uma força humana para a união, para transformar, para buscar soluções alternativas e não ceder ao medo e à paralisia promovidos pelo isolamento”, completa Bárbara Margelli.

Aplicação de atividades

Um desafio que merece ser discutido é com relação às atividades. Praticamente tudo mudou no dia a dia dos professores Waldorf, até mesmo porque não havia uma maneira estabelecida. O presencial não acontece.

“Um dos maiores desafios foi simplesmente aprender a usar o computador, com todas as maravilhas tecnológicas. Na verdade a gente tem à disposição a tecnologia, mas que até agora não usávamos na nossa escola. Nós já vimos quais os próximos avanços que essa tecnologia terá que desenvolver para dar conta dessa exigência, pois quando queremos substituir esse presencial, não basta ter uma ferramenta, é preciso aprimorá-la, a fim de estabelecer um contato verdadeiro”, destaca a professora.

A professora explica que no sexto ano, por exemplo, os alunos estudam astronomia, então, eles foram levados a observar o céu de suas próprias casas e compartilhar os descobertas com professores e colegas. Outros estudantes se envolveram com todas as atividades comuns do cotidiano da casa, como a culinária.

A partir disso, professores puderam ensinar química. Ou seja, a aplicação de atividades variou conforme as demandas da classe e os professores precisaram fazer a adaptação, ainda que virtual.

O futuro da educação

Além dos desafios impostos por essa nova condição que estamos vivenciando, os professores ainda têm que se preocupar com o futuro do sistema de ensino. Até que surja uma cura, o modelo educacional terá que se adaptar para atender às demandas da sociedade.

Para Bárbara Margelli, o contexto atual nos leva a uma reflexão. “O que muda na educação daqui para frente? O que terá que ser adaptado para atender a esse novo mundo em que vamos viver? Quando o isolamento terminar e voltarmos ao ensino presencial, poderemos perceber o impacto de tudo o que estamos passando. Acredito que sairemos fortalecidos”.

Ela destaca que algo que sempre acontece entre professores Waldorf é a comunicação constante entre os pares. Isso expandiu, não só dentro, mas também para outras escolas do Brasil e do mundo. De maneira geral, para o futuro, o que ficará é a consequência que o ato do outro terá.

“A minha atuação tem que sempre estar envolvida com o outro, criar essa responsabilidade entre as pessoas, uma verdadeira preocupação que está com o indivíduo que está do meu lado”, finaliza Margelli.

De modo geral, muitas transformações passaram a fazer parte do dia a dia dos professores Waldorf, dos seus alunos e de suas respectivas famílias. A ideia principal é que as crianças usem a tela, por exemplo, mais como apoio ao ensino, mas não percam aquela qualidade das vivências. Para isso, os professores têm um caminho pela frente de avaliar o desenvolvimento a partir dessa proposta de uso da tecnologia.

Esperamos que você tenha gostado deste conteúdo. Agora, que tal compartilhá-lo nas suas redes sociais? Assim, mais professores poderão se informar sobre como lidar com esse momento!

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