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Resultado do PISA: qual a importância da boa formação do professor?

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Você deve ter ouvido falar sobre o PISA, mas sabe o que realmente é e quais são seus objetivos? Esse exame, cuja sigla significa Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, consiste na maior avaliação internacional em educação. É realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em parceria com os países participantes.

Sua aplicação acontece a cada três anos. Em cada edição, uma das áreas do conhecimento recebe maior ênfase. Esse exame é realizado por alunos na faixa etária dos 15 anos, idade em que o estudante já deve ter finalizado a escolaridade básica na maioria dos países.

O objetivo é analisar o nível de conhecimento dos estudantes e produzir indicadores da qualidade da educação. Esses resultados são utilizados como parâmetros para a aplicação de políticas educacionais, as quais devem preparar os jovens para exercer a cidadania na sociedade contemporânea. Sendo assim, o resultado do PISA é atrelado à política de investimento das nações em educação. Saiba mais sobre esse exame!

O que é avaliado nessa prova?

O exame abrange estudantes de 34 nações membros da OCDE, de 31 países convocados (como o Brasil) e de Hong Kong, Macau, Xangai e Taiwan. O mínimo de instituições escolares exigidas pela Organização para realizar a avaliação por país é 150. Segundo o Inep, as escolas participantes são escolhidas por meio de sorteios, realizados em cada edição.

A prova avalia a performance dos alunos em matemática, ciências e leitura, por meio de conteúdos e questões que já tenham sido desenvolvidos durante os nove anos do ciclo básico de educação formal.

Com base no resultado, professores e coordenadores podem analisar criticamente os resultados do exame e, a partir desse quadro, fazer uma proposta inovadora para a grade curricular vigente — além de verificar se a formação de professores prepara os docentes adequadamente para lidar com as demandas levantadas.

Como a formação do professor pode influenciar o resultado do PISA?

Todos os professores têm uma responsabilidade em comum: estimular o nível de formação e de conhecimento geral dos alunos. Porém, atingir essa meta pode ser difícil quando ainda temos milhares de docentes sem licenciatura ou exercendo disciplinas que não condizem com a sua área de formação, cenário comprovado em uma pesquisa do economista Ricardo Paes de Barros.

Tal fato influencia diretamente o resultado do exame. Sem a formação adequada, o professor não estará preparado para aplicar metodologias com foco em desenvolvimento de habilidades e competências de acordo com a faixa etária dos alunos, assim como administrar salas de aula com uma grande quantidade de discentes, a qual é a realidade brasileira.

Dessa forma, é essencial que a coordenação pedagógica apoie a formação continuada e a participação dos professores em atividades de desenvolvimento profissional. Por meio de docentes qualificados e trabalho em equipe, a escola consegue analisar o resultado do PISA e comparar com o plano de ensino para definir os pontos que devem ser ajustados e os conteúdos que devem ser acrescentados.

Qual é a importância da boa formação do professor?

O último exame, realizado em 2018, mostrou que o Brasil está, entre 79 países, em 57º lugar no ranking de leitura, 66º lugar na avaliação de ciências e na 70ª posição em matemática.

A importância da boa formação do docente fica explicita ao analisar indicadores que mostram que os países com as melhores pontuações no PISA são aqueles que mais investem na formação e na carreira dos professores.

Um exemplo disso é que a média salarial anual dos nossos professores é de US$14.775, enquanto na Alemanha, que está pelo menos 40 posições acima nas três modalidades, o valor é US$60.507. Se quisermos um exemplo mais próximo geograficamente, podemos levar em conta os resultados do Chile, o qual está 10 posições a frente em matemática e 20 em ciências. Os professores do país recebem em média US$23.747.

As dificuldades apresentadas pelos alunos brasileiros no último PISA, onde o foco foi a leitura, estão relacionadas à interpretação de texto e à identificação da ideia central do conteúdo. Tais problemas afetam todas as áreas do conhecimento.

As nações que ficaram mais bem posicionadas são aquelas que não se limitam ao ensino tradicional e aplicam diferentes metodologias de aprendizado, assim como atividades extracurriculares. Sendo assim, nossas metodologias de ensino devem ser repensadas.

Confira um pouco mais das técnicas aplicadas por professores com boa formação e como elas podem trazer melhores resultados!

Aperfeiçoamento dos saberes

O ensino dos nossos alunos deve ser aperfeiçoado para que eles sejam bons solucionadores de problemas referentes aos desafios existentes (e futuros) do mundo, não apenas da nação brasileira. É necessário informá-los de forma que eles se vejam como cidadãos em contexto global, comprometidos com os desafios do planeta.

Para que o processo de aprendizado seja cada vez mais aperfeiçoado, é fundamental que tenha colaboração entre os docentes, de forma que haja troca de ideias e experiências. O mesmo vale para profissionais responsáveis pela coordenação do ensino, como diretores, pedagogos e até mesmo psicólogos.

Adequação das metodologias de ensino

Já é hora de os educadores abandonarem a didática da chamada “decoreba”. Mais do que saber sobre fatos, os alunos precisam aprender como interpretá-los e relacioná-los com o contexto real.

Precisamos formar alunos com pensamentos criativos, que saibam analisar informações de maneira crítica. A discussão em sala de aula acerca de fatos históricos, por exemplo, deve deixar de girar em torno de decorar nomes e datas para focar em como tais acontecimentos impactaram questões práticas presentes no momento atual.

Criação de um processo de ensino mais atrativo

Assim como é chegada a hora de abandonar a “decoreba”, também chegou o momento de abdicar do ensino limitado à sala de aula e às apostilas, que restringe a percepção do aluno, causando desmotivação na aprendizagem.

A Estônia, pequeno país europeu, levou o 5º lugar no ranking de leitura, 4º na avaliação de ciências e a 8ª posição em matemática. Segundo a ministra da Educação e Pesquisa do país, Mailis Reps, o sucesso do ensino está na autonomia desfrutada pelos professores, que integram as disciplinas e dão ênfase em ensinar ética, empreendedorismo e educação digital. Ao mesmo tempo, as escolas desse país costumam oferecer atividades fora do período de aulas, como práticas esportivas, música e artes.

Por isso, a estratégia é buscar atividades práticas, como experimentos em laboratórios, e ultrapassar os portões da escola para realizar exercícios extracurriculares, como excursões, visitas a museus, patrimônios históricos e outras instituições. Além de ajudar os alunos a entenderem conceitos antes vistos apenas na teoria, é possível despertar interesses que podem acarretar, inclusive, na escolha da futura profissão.

Para aqueles que acompanham o resultado do PISA a cada edição, não é novidade o nosso país aparecer mal colocado em comparação a outros países. No último exame realizado, em 2018, onde o foco foi a modalidade leitura, o Brasil ficou atrás de mais de 50 países.

Ao mesmo tempo, segundo relatório da Education at a Glance de 2015, da OCDE, nossas salas de aulas são as que têm a maior quantidade de alunos, dificultando o aprendizado, e os professores têm a maior jornada semanal de trabalho, porém com pouca produtividade. Tais fatos não podem ser tratados como coincidência.

Com as informações deste post, fica claro que professores com formação suficiente para transmitir conteúdos de forma eficiente são o caminho para os brasileiros terem boa performance no exame. Além disso, é essencial a existência de escolas com melhores infraestruturas, que permitam que discentes aprendam em condições confortáveis, o que aumenta significativamente o nível de aprendizado.

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