Semana da educação humanizada Semana da educação humanizada

Semana da educação humanizada: veja o que foi debatido

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A Semana da Educação Humanizada acontece, todo ano, no início da primavera. É um encontro realizado pela MOVEH — Movimento pela Educação Humanizadora — e tem o objetivo de discutir a importância da humanização na educação. Os temas são relevantes e relacionados ao universo infantil, como desenvolvimento, educação da criança e a importância do professor e do seu olhar atento a cada aluno.

A ideologia das discussões, dessa forma, caminha no sentido inverso aos modelos tradicionais de educação, cujo objetivo é, desde cedo, preparar a criança para o mercado de trabalho, desconsiderando suas necessidades e subjetividades.

Conversamos com Marcos Galhego, servidor público na consultoria da área social da Câmara Municipal de São Paulo, que esclareceu alguns pontos importantes sobre a Semana da Educação Humanizada. Acompanhe!

O que é educação humanizada?

Olhando ao redor, não é raro nos depararmos com crianças sem tempo para brincar e com uma agenda mais cheia que a de um adulto. O ritmo frenético, aliado a muita tecnologia, à grande disponibilidade de informação e a uma rotina repleta de aulas e provas tem sido a realidade de alguns universos infantis.

As escolas e os pais se mostram cada vez mais ansiosos sobre o futuro profissional da criança e se esquecem de olhar para as necessidades intrínsecas dela.

Segundo Marcos Galhego, a educação humanizada “tem o foco no desenvolvimento do ser humano, em sua totalidade, de forma emancipadora, considerando aspectos físico, emocional, mental e espiritual. No processo de aprendizado, há o respeito à individualidade do ser e uma atenção especial à maturidade, no processo educativo”.

Entre as vantagens da educação humanizada, Galhego cita o fortalecimento da autoestima, o estímulo à autonomia e a integração dos âmbitos da vida social do estudante. “Também considero a proximidade, a troca e a participação da família, como um diferencial”, completa.

Qual a importância do debate e de uma semana da educação humanizada?

Na visão do consultor, podem ser destacados dois pontos fundamentais, quando pensamos na importância dos debates e da própria Semana da Educação Humanizada: a saúde integral da criança e a formação da sociedade.

“Pela saúde integral da criança, consegue-se implementar práticas para preservar a infância e respeitar as fases de desenvolvimento, o que é fundamental para seu futuro. Estudos já comprovam que crianças apresentam menos problemas, em todos os aspectos — saúde, interação social e própria vida estudantil — e se tornam mais maduras e responsáveis por si e pelo coletivo”.

A formação da sociedade, por sua vez, é preconizada pelo fato de as escolas estarem preparando as gerações que formarão e liderarão a nossa sociedade.

“É importante entendermos qual o modelo que nos fez chegar até este ponto da sociedade e se queremos continuar reproduzindo-o ou melhorá-lo. No meu ponto de vista, a sociedade está em crise e o modelo que temos agora não funcionou. A crise ambiental, social e econômica são evidências claras de que precisamos aprender a nos relacionar com nosso entorno de uma forma diferente, mais altruísta e generosa”.

Quais foram os pontos altos do debate no ano de 2020?

Em virtude da pandemia, os encontros da Semana da Educação Humanizada foram realizados por webinares. Teve um encontro por dia, de segunda a sexta-feira, entre 21 e 25 de setembro, em que participaram professores Waldorf e representantes de diversas instituições, entre elas a Faculdade Rudolf Steiner.

“No primeiro webinar, focamos o tema geral: a educação humanizadora. Tivemos uma participação muito rica e muitos contribuíram, colocando em pauta políticas públicas de educação para a cidade, a comunidade escolar e a sociedade de modo geral”, conta Marcos.

O segundo webinar tratou do olhar da criança e suas fases de desenvolvimento. “Cada integrante somou sua visão, abordando esse olhar atento para as necessidades individuais. Também falamos sobre o papel da integração com a natureza e relação com o consumo”, completa o Consultor.

O terceiro momento trouxe um olhar para os professores, seus papéis e as necessidades de cuidados com esses profissionais, como humanos, como a importância de proporcionar boas formações, as oportunidades de se desenvolverem, a necessidade de reconhecimento da atuação e a regulamentação da carreira.

O dia seguinte foi o momento de debater sobre os pais e a família. Já o último dia abordou uma análise para o social, o entorno. Discutiu-se sobre temas atuais e urgentes, como as desigualdades sociais, a diversidade, a questão racial e a inclusão.

Por que é importante manter-se atualizado sobre a educação humanizada?

“Pais, família e a comunidade têm um papel importante na formação e na educação da criança. Os educadores também precisam de subsídios e informação para se prepararem. Educar uma criança não é fácil e é importante ter atenção a muitas questões”, considera Galhego.

O desejo de se manter atualizado deve ser algo inerente na vida do educador. A autoeducação é fundamental para o processo de ensinar crianças e adolescentes. “É algo que deveria partir das instituições, dos docentes, das famílias e, até, dos políticos que atuam na educação”, complementa Marcos.

O consultor considera, ainda, que movimentos relevantes, como esse realizado pela MOVEH, precisam ser mais difundidos. “É preciso espalhar este conhecimento o máximo possível, para termos uma sociedade mais humana e capaz de realizar as transformações necessárias em nossas relações e interações com o meio ambiente”.

Enfim, o ensino humanizado é, também, muito preconizado pela Pedagogia Waldorf, que foca as necessidades e valores da criança, para compreendê-la em sua totalidade. Isso ajuda no crescimento individual, na aquisição de habilidades socioemocionais e facilita as experiências sociais, auxiliando no autoconhecimento, na formação cultural e na motivação para a aprendizagem.

A Semana da Educação Humanizada tem muito a agregar a escolas, educadores, pais e sociedade, promovendo conhecimentos e reflexões sobre um ensino mais saudável, que acolhe a individualidade da criança e dá espaço para ela crescer em seu tempo. Os webinares estão disponíveis no canal do YouTube do MOVEH e podem ser acessados por qualquer pessoa interessada. Sendo assim, não deixe de conferir antes da próxima volta às aulas.

Gostou do conteúdo? Então, leia nosso próximo artigo e descubra o que é preciso para atuar em uma escola Waldorf!

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