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TDAH nas escolas: veja como a pedagogia Waldorf faz a inclusão dessas crianças

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O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) causa sintomas que dificultam o processo de aprendizagem. Lidar com o TDAH nas escolas, então, pode ser um desafio, mas é fundamental para o aperfeiçoamento de um pedagogo.

Isso porque o ambiente escolar está presente durante muitos anos do desenvolvimento infantil. Assim, os professores estão entre os principais responsáveis por encaminhar a criança durante todo o processo.

Conversamos com Florencia Guglielmo, coordenadora do apoio pedagógico da escola Waldorf Rudolf Steiner e professora da Faculdade Rudolf Steiner. Ela nos ajudou a entender como as escolas podem contribuir para que a criança com TDAH tenha um bom aprendizado. Confira!

Crianças com TDAH e o papel das escolas

O Transtorno de Déficit de Atenção é tido como uma das principais causas de dificuldade de aprendizagem no ambiente escolar. Segundo a literatura especializada, esse transtorno afeta determinado conjunto de funções cerebrais, o que pode dificultar o bem-estar da criança.

Ou seja, além dos sintomas cognitivos — que costumam abranger a dificuldade de concentração, a impulsividade, a hiperatividade e a falta de atenção —, a criança lida com as consequências emocionais dessa desordem. Baixa autoestima, dificuldade nos relacionamentos e falta de motivação com a escola são comuns.

Um dos motivos que acarretam tais efeitos secundários está relacionado à dificuldade no aprender: a criança se sente perdida e não pertencente ao meio, ao ver que seus colegas têm um desempenho diferente do seu nas disciplinas.

É aí que a escola tem um papel importante, na visão de Florencia. Primeiro, para fornecer os estímulos adequados. Segundo, para o treino da atenção, que não deixa de ser uma habilidade cognitiva.

“Vivemos em uma sociedade, hoje, que nos apresenta inúmeros estímulos captando nossa atenção, o tempo todo. Já vi adultos se queixando de não conseguirem se dedicar a uma leitura, por muito tempo, pois ficam entendiados. Para as crianças, isso tem sido ainda mais desafiador”, comenta Florencia.

Assim, quando em idade nova, a criança precisa de assistência e evitar receber tantos estímulos, de uma vez. “Quando ela é, excessivamente, exposta a telas, acaba que não tem rotina, nem alimentação e sono adequados. Esse excesso pode influenciar, até, a respiração, que, por sua vez, aumenta a ansiedade e afeta a concentração”, complementa.

Também, é importante ter em mente que a criança com TDAH, assim como qualquer outra, tem capacidade de evoluir e de adquirir habilidades importantes.

Como a Pedagogia Waldorf faz a inclusão de crianças do TDAH nas escolas

A Pedagogia Waldorf tem o propósito de valorizar a criança, de forma individual, olhando para suas necessidades, integradas com suas habilidades cognitivas, emocionais e corporais.

Para a primeira infância, que vai dos 0 aos 7 anos, essa pedagogia tem um olhar especial, já que proporciona, sobretudo, experiências sensoriais e motoras, que ajudam, mais tarde, no aprendizado. Como exemplo, temos a arte, a música e o brincar livre.

Ao identificar o TDAH nas escolas, Florencia defende a importância de considerar a limitação de cada faixa etária. Por exemplo, não adianta esperar que crianças muito novas fiquem paradas e atentas por um longo tempo: o sistema cognitivo ainda não tem a maturidade necessária.

“Nesse aspecto, a pedagogia Waldorf tem um papel intenso, pois uma das ideias é, justamente, olhar para a individualidade e a fase de desenvolvimento, e ensinar, a partir disso”, completa.

Os professores das escolas Waldorf, inclusive durante a formação, aprendem a observar as crianças sob um aspecto diferente. Eles não se interessam apenas pelas notas, mas se preocupam, acima de tudo, em saber como está o sono, a alimentação, a respiração, a rotina da casa.

“O professor, então, pode fazer perguntas relacionadas a isso, antes de intervir na sala de aula, para ajudar a criança no processo de atenção. Outra vantagem da Pedagogia Waldorf é na estruturação de cada aula. Há canto, parte artística, movimentação física. A criança não é obrigada a ficar parada, muito tempo, apenas prestando atenção no que está sendo ensinado. Mesmo para alunos de 6º, 7º e 8º anos os professores pensam em dinâmicas”, explica a coordenadora.

Relato de um caso de sucesso

As práticas da Pedagogia Waldorf conquistam sucesso nas escolas. Florencia nos conta um exemplo de um caso no qual presenciou uma grande evolução.

“Eu tenho um aluno do 8º ano. Quando mais novo, apresentava TDAH na escola e, então, grande dificuldade na concentração. Ele não acompanhava bem o conteúdo e, frequentemente, se dispersava. Então, a escola disponibilizou um auxiliar, para acompanhá-lo de perto. A pessoa ficava ao lado dele e o ajudava a se organizar, pegar o caderno, fazer os exercícios. Isso ajudava a treinar sua atenção, e sua autoconfiança aumentou. Com o tempo, ele conseguiu acompanhar o nível da turma”.

Como ajudar a criança em casa

É certo que se a criança apresenta TDAH na escola, em casa também manifestará sintomas de desatenção e hiperatividade. O papel dos pais, então, também é importante, já que as consequências disso refletirão no desempenho escolar.

“As diretrizes que seguimos dentro da escola também servem para dentro de casa. É interessante garantir um ambiente que não tenha muitas horas de eletrônicos e que não seja cheio de distrações. As crianças precisam dormir o tempo adequado, comer saudável e realizar atividades físicas, como correr, andar de bicicleta e subir em árvores. Se isso não acontece, tendem a ficar inquietas, o que piora a condição escolar”, opina Florencia.

Outro detalhe importante é prestar atenção na forma como nós adultos agimos, já que somos um espelho a elas. Fazer algo e ficar no celular, ao mesmo tempo, faz com que não estejamos tão presentes. Então, é fundamental sabermos nos desligar e experimentar, calmamente, o momento.

Por fim, a coordenadora acredita que vale a pena frear a mania do exagero na medicação. Dependendo da situação, ela ajuda. Contudo, antes disso, é fundamental, não se esquecer do que foi dito lá no começo: a capacidade cognitiva pode ser treinada. “Acho complicado já passar para a conduta medicamentosa antes de testar isso, pois significa que, se tirarmos a substância, a criança continuará sem atenção”, ela explica.

Lidar com o TDAH nas escolas requer uma conduta adequada por parte de todos os profissionais que ali trabalham. Esse é o ambiente no qual a criança permanecerá por anos e é nele que aprenderá coisas importantes para todo o seu desenvolvimento. Por isso, não fique de fora de todos os benefícios que a Pedagogia Waldorf pode proporcionar.

Por falar nisso, que tal entender o papel da arte na educação infantil? Confira o artigo!

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